Criado pelo Decreto
nº 3.496, publicado em 2/6/2000, está situado em um prédio histórico
na Praça Marechal Âncora-RJ, conhecido há mais de 50 anos como
Posto de Vacinação da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde.
A implementação do CCS resulta em uma maior capacidade da esfera
federal do Sistema Único de Saúde (SUS) para promover a eqüidade
no direito à informação e ao conhecimento em Saúde. Ao resgatar
a história e dar visibilidade à evolução da Saúde Pública e às
redes informacionais disponíveis, o CCS evidencia a atuação e
as políticas governamentais do setor, bem como a participação
da sociedade brasileira na luta por melhores condições de vida.
HISTÓRICO
A atual proposta de
implantação do Centro Cultural da Saúde no Prédio Histórico da
Praça XV do Rio de Janeiro, ocorre no sentido de convergir uma
série de iniciativas anteriores que primavam pela relevância do
acervo da psiquiatria brasileira - os documentos que revelam a
história da saúde pública. A primeira proposta objetivava ser
uma extensão do trabalho do Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII),
realizado pela Seção de Terapêutica Ocupacional, a qual propiciava
aos pacientes meios de expressão e resgate de sua individualidade,
e que visava conhecer a doença de gênese desconhecida através
da produção dos pacientes. Os resultados desse trabalho de cunho
científico e reconhecido internacionalmente encontram-se no Museu
de Imagens do Inconsciente. À densidade científica desse acervo
agrega-se sua dimensão artística. Várias são as revelações expressas
em coleções de imagens consagradas como obras de arte e que percorreram
exposições nacionais e internacionais nas últimas quatro décadas.
Em decorrência da importância dessa ação, em 1993 foi assinado
convênio entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Cultura
para, no prazo de 5 anos, organizar no Prédio da Praça XV um espaço
que, integrado ao núcleo histórico e turístico do Centro do Rio
de Janeiro, se constituísse em extensão desse trabalho, favorecendo
a desmistificação da loucura e o fomento à terapêutica proposta,
garantindo a preservação de um acervo de cerca de 300 mil imagens.
Por descontinuidade da iniciativa formalizada que apresentou inclusive
os projetos arquitetônicos detalhados do espaço, em abril de 1996,
o foco do espaço foi direcionado para outra unidade hospitalar,
a Colônia Juliano Moreira. A proposta trazia elementos novos e
objetivava a implementação do Centro Cultural Ressocializante,
denominado Centro Cultural Bispo do Rosário-CCBR. A finalidade
do CCBR era de abrir um espaço que acolhesse, preservasse e dignificasse
a vida e a obra dos usuários, com vocação artística, que fossem
freqüentadores dos vários programas de saúde mental da rede pública
e privada, em todo país, reconduzindo-os ao mercado de trabalho,
garantindo a restauração das obras selecionadas e a sua conservação
museológica, por meio de convênios com Escolas de Museologia,
Museu Nacional de Belas Artes, Fundação Biblioteca Nacional e
outras entidades afins.
Nesse período empreendeu-se uma série de esforços para recuperar
e restaurar o acervo arquivístico e museológico existente na Colônia.
A obra do interno Arthur Bispo do Rosário contava com uma coleção
de cerca de 2.000 peças e a divulgação de seu trabalho despertou
grande interesse no exterior. Na época sua obra tinha como marco,
ter representado o Brasil na XLVI Bienal de Veneza, em 1996. No
final do ano de 1996, a Coordenação de Documentação e Informação
- CDI/ SAA/MS foi solicitada a prestar apoio à equipe do Projeto
de Municipalização da Colônia Juliano Moreira, com dificuldades
em relação à guarda e destinação do acervo histórico dos documentos
públicos federais. Concomitantemente o Laboratório de Pesquisa
em Saúde Mental da Escola Nacional de Saúde Pública vinha desenvolvendo
um trabalho, cuja atividade de mapeamento das fontes disponíveis
alertava para a precária condição dos acervos e a perda irreparável
de informações históricas.
Em dezembro de 1996, sob a coordenação da CDI, realizou-se o primeiro
fórum de discussões, com o objetivo de debater a destinação, preservação
e acesso aos acervos, conhecendo-se os pontos convergentes das
propostas em curso nas várias instituições do Ministério da Saúde
e sedimentando parcerias já atuantes, bem como identificando outras.
Em função das péssimas condições de guarda dos acervos, era necessário
transcender a etapa de propostas pontuais e reunir esforços no
sentido de integrar ações voltadas à identificação, organização
e difusão das informações disponíveis nos diversos acervos de
documentos da área de saúde mental. Nesse sentido, destacavam-se
os seguintes projetos: Organização do Acervo Documental do Ministério
da Saúde - SAA/SE/MS; Museu Imagens do Inconsciente - Centro Psiquiátrico
Pedro II; Corredor Cultural/Museu Nise da Silveira - Instituto
Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira - IMASJM; TV
Pinel - Instituto Philippe Pinel; Memória da Psiquiatria no Brasil
- NUPES/ENSP/FIOCRUZ.
Em outubro, de 1997, foi criado um grupo de trabalho intra e interinstitucional,
por intermédio da portaria nº 270/97, com a finalidade de proceder
à sistematização do trabalho de diagnóstico, organização e avaliação
dos acervos arquivísticos, bibliográficos e museológicos referentes
à Memória da Psiquiatria no Brasil e integrar ações e recursos
para viabilizar o projeto de criação do Centro de Referência da
Memória da Saúde Mental. Foram realizados dois fóruns sobre a
memória da psiquiatria brasileira com o objetivo de dar continuidade
à integração de ações e recursos institucionais, visando garantir
o acesso às informações produzidas no decorrer da história da
assistência psiquiátrica no país. Como resultado desse trabalho,
realizou-se um diagnóstico preliminar e várias iniciativas de
recuperação e organização dos acervos foram dinamizadas, bem como
parcerias com órgãos afins, no âmbito de cada Unidade. Registra-se
assim, ações do Instituto Philippe Pinel, do CPP II e do IMASJM,
as quais compreenderam o funcionamento de oficinas, realização
de exposições, mostras e publicação de catálogos e iniciativas
de recuperação do acervo por meio de parcerias. No decorrer de
dois anos, empreenderam-se esforços para desocupação do prédio
pela Vigilância Sanitária Federal e o desenho de uma proposta
integrada em prol da referência, organização e restauração dos
acervos existentes. Para a evolução das sociedades, a informação
requer a integração de técnicas e conhecimentos e migração do
armazenamento para a difusão do saber. A abordagem criativa, atraindo
o público em geral, é o novo desafio das áreas gestoras de acervos
informacionais. A partir do final de 1999, em função da municipalização
dos hospitais em questão, os cenários se modificaram. Por outro
lado a área de Documentação e Informação transformou-se em Coordenação-Geral
e passou a defender, em função da responsabilidade sobre os diversos
acervos repassados a outras esferas de governo, uma nova estrutura
teórica de concepção do espaço, sem perder de vista a sua proposta
inicial. Surgiu a idéia de criação do Centro Cultural da Saúde,
ampliando o horizonte e a abordagem das idéias originais.
www.ccs.saude.gov.br
Praça
Marechal Âncora , s/n.º - Praça XV
(0xx21)
22405568 / 22402813 ou 22402845