...Que o morro onde fica o Convento e a Igreja de Santo Antônio beirava uma lagoa. Ela existia onde hoje é o Largo da Carioca. O local chamou-se Crispim da Costa, nome de seu primeiro proprietário. O morro foi doado aos Carmelitas, que em pouco tempo o abandonaram, passando os Franciscanos (recém chegados ao Rio) a ocupá-lo. Sob traçado de frei Francisco dos Santos, frei Francisco de Salvador comandou a construção do Convento e da Igreja. Em 08 de fevereiro de 1615, com a Igreja quase concluída, foi rezada a 1ª. missa. As obras de construção do Convento duraram todo o século XVII. Sucessivas obras alteraram o projeto original: frei Francisco da Porciúncula aumentou a Igreja (1692), frei Lucas construiu corredores laterais com tribunas no andar superior (1716), frei Martinho de Santa Teresa fez modificações (1777) e frei Inácio Hinte deformou a fachada primitiva (1920). Durante a construção do vizinho edifício sede do BNDES, na década de 1970, fizeram-se necessárias obras de contenção de encostas para que o morro de Santo Antônio, já bastante reduzido por obras que deram lugar à Av. República do Paraguai e à Av. República do Chile, não viesse a desabar, destruindo este precioso conjunto arquitetônico.
Descrição: Convento e Igreja formam um só conjunto, robusto, sobre o que restou do morro de Santo Antônio, de frente para o Largo da Carioca, onde estão seus portões de entrada.
A Igreja, em estilo barroco, tem forte influência portuguêsa. Nela encontram-se várias obras artísticas, algumas de autores desconhecidos, como 18 bustos de madeira sobre o coro e os painéis do teto e das paredes da Capela-mór. Há vitrais alemães, estátua em tamanho natural do Bom Jesus da Cana Verde (1678) - mandada vir de Portugal por frei Eusébio da Expectação -, painéis do coro por Pedro Cechet e outras riquezas. Na Porciúncula encontra-se, desde 1927, o túmulo do frei Fabiano de Cristo, conhecido por seus milagres.
O Convento possui lavabo em mármore rosa, peças em madeira por Mestre Setúbal (1745) e um museu, onde estão o quadro "A Primeira Missa no Brasil" (de Vitor Meirelles), as jarras de frei Solano, o bastão de D. João VI e o altar portátil que o Duque de Caxias usou na Guerra do Paraguai. Uma imagem de S. Antônio, em nicho na parte externa, esteve presente na expulsão dos franceses comandados por Jean François Duclerc (1710) e foi agraciada com patente e soldo de capitão.
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