...Que o Palácio da Polícia (antigo prédio da Polícia Central) foi o primeiro prédio do Rio de Janeiro projetado e construído com a finalidade de servir de sede à Polícia. Durante o governo do presidente Afonso Pena (de 1906 a 1909) foi dada seqüência à modernização dos órgãos de segurança pública iniciada no governo de Rodrigues Alves (de 1902 a 1906) com ênfase na Justiça do Distrito Federal. O decreto 1970 de 01 de outubro de 1908 determinou a construção de instalações apropriadas para sediar a República Central de Polícia e seus serviços complementares. O premiado arquiteto Heitor de Mello foi incumbido dessa tarefa. O prédio foi construído em apenas 17 meses, inaugurado em 05 de novembro de 1910 (durante a presidência de Nilo Peçanha, sendo "Chefe de Polícia Federal" o Dr. Carolino Leoni Ramos) e reformado em 1922, quando foi feita grande ampliação.
Os prédios anteriores eram adaptações de prédios de outras origens. O então chamado "Palácio da Polícia Federal" representa bem a intenção governamental de ter um prédio que, com sobriedade e beleza, destacasse a importância da função policial e a autoridade do estado. À época, iniciava-se a compreensão da necessidade de uma polícia científica: além de instalações administrativas e celas para a guarda de presos, havia instalações destinadas a telecomunicações (telefone e telégrafo), identificação datiloscópica, autópsia e serviço médico-legal (incluindo local para aulas), bibliotecas, arquivos com pisos metálicos elevados e laboratórios.
Apesar da intenção inicial de dotar o Rio de Janeiro de uma polícia técnica, ocorreu uma inversão de valores e ali funcionaram serviços policiais destinados a intimidar, prender e torturar os que discordavam das ditaduras brasileiras durante várias décadas, do Estado Novo de Getúlio Vargas (de 1937 a 1945) até as ditaduras militares iniciadas com o golpe de estado de 1964. A partir da década de 1970, o prédio ficou famoso por sediar o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), que visava reprimir dissidentes políticos - o que fez com que, até por uma questão de segurança pessoal, poucos quisessem ter qualquer vínculo com o prédio. Ainda hoje, esse prédio é desconhecido da maior parte da população e, entre os que conhecem sua história, infelizmente não são poucos os favoráveis à sua demolição, na esperança vã de "apagar" um período longo e ruim da história do Brasil.
O Prédio tem estilo eclético, sua entrada está localizada exatamente à esquina da Rua da Relação com a Rua dos Inválidos, fazendo com que seu lugar de ver (ponto de onde ele pode ser visto em simetria) seja a esquina oposta.
Seu portão de entrada está ladeado por pilastras (andar térreo); acima dele (1º. pavimento), a varanda e o vitral do Salão Nobre, entre colunas jônicas que sustentam um arco monumental e esculturas. Acima das janelas do 2º. pavimento, pode-se ver a inscrição "Polícia Central" e o grande destaque do prédio: sua cúpula. Ao longo de toda a fachada podem-se ver diversos elementos de decoração, como os gárgulas: elmos e cabeças de leão.
Em seu interior, o piso do vestíbulo apresenta sofisticado mosaico. Escadas de mármore e azulejos são apenas alguns dos detalhes da decoração. O pátio interno era local de um jardim, hoje inexistente. Um grande relógio pode ser visto no topo do 2º. pavimento, no canto oposto à cúpula. Os corredores que interligam todas as salas de cada pavimento são, na verdade, grandes varandas com vista para o pátio interno.
Apresenta aspectos característicos da divisão original de funções. O Salão Nobre, ponto de reunião de autoridades, é a parte mais decorada do prédio, mesmo em sua parte externa. As janelas correspondentes a escalões hierárquicos inferiores apresentam menor tamanho e decoração menos sofisticada.
A construção original compunha-se apenas dos blocos perpendiculares que se alinham com a Rua da Relação e com a Rua dos Inválidos, formando um "L". Em 1922 foi promovida grande reforma que dobrou seu tamanho, com a adição de um segundo bloco em forma de "L" que fechou o conjunto ao redor de um pátio interno ajardinado. Esse segundo conjunto, mais recente, pode ser notado do exterior pela forma de suas janelas, ligeiramente diferentes das que integram a construção original.
Em seu lado direito, na Rua da Relação, um muro com janelas de características semelhantes às do prédio abriga um estacionamento para veículos oficiais da Polícia Civil.
O uso contínuo por muitas décadas tornou necessárias mudanças que, apesar de não terem alterado a estrutura da construção, descaracterizaram o projeto original. Paredes divisórias foram acrescentadas e algumas áreas internas hoje apresentam grades, necessárias para proteger e restringir o acesso a alguns setores. Algumas janelas externas apresentam grades, revelando antigas celas. A construção está muito deteriorada, o que é especialmente lastimável por sua beleza e importância histórica, mas apresenta ainda boas condições de uso - muito melhores do que as apresentadas por muitos outros prédios da mesma época construídos no Rio de Janeiro.
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