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...Que a Praça Mauá era, de início um grande alagadiço, a Praia de Nossa Senhora que depois passou a ser conhecida apenas como Prainha, era o principal ancoradouro das embarcações que do fundo da Baía traziam alimentos para a cidade. Ficava localizada desde o Morro de São Bento até a encosta do Morro da Conceição, na Sesmaria pertencente a Manuel de Brito que chegava até a atual Rua Visconde de Inhaúma.

Atualmente apresenta uma curiosa mistura, de um lado um bairro de boates e inferninhos, existentes graças às proximidades com o Porto do Rio de Janeiro, inaugurado em 1908, e de outro oferece o maravilhoso Mosteiro de São Bento, símbolo do Barroco e marco da ocupação da cidade.

Entre 1904 e 1910, foi construído o Porto do Rio de Janeiro, para permitir que grandes embarcações pudessem atracar em um porto adequado ao crescimento da cidade e de suas atividades comerciais, deixando de ficar fundeadas no meio da Baía de Guanabara, como acontecia até aquela época.

Nos anos 40, era a Praça Mauá que dominava o cenário carioca. A Praça era a porta de entrada de todas as novidades que vinham trazidas pelas ondas - as ondas marítimas em que chegavam os transatlânticos que atracavam no moderno porto do Rio e as ondas sonoras da Rádio Nacional que, do alto do edifício de "A Noite", o primeiro arranha-céu da cidade, encantavam verdadeiras multidões de ouvintes.

De um lado da Praça ficava a Rádio Mayrink Veiga, no ar desde 1926 e campeã de audiência carioca durante toda a década de 30. Do lado oposto, já na década de 30, surgia a irmã caçula de um império jornalístico: a Rádio Tupi, "o Cacique do ar", emissora pertencente ao grupo dos Diários Associados, que iniciou suas atividades como a segunda mais potente emissora da América do Sul.

Em 1936, o foco das atenções volta-se para a própria Praça Mauá, quando, nos últimos andares do famoso edifício "A Noite", têm início as transmissões da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a mais poderosa emissora brasileira das décadas de 40 e 50.

Circulava na Praça todo tipo de pessoa. A estação rodoviária Mariano Procópio trazia os viajantes locais, e o porto, os visitantes estrangeiros e os marinheiros, ávidos por descanso e diversão. Para as rádios, vinham os artistas, o público e um sem-número de trabalhadores. Para atender a esse conjunto de transeuntes, vinham os táxis e os prestadores de diversos serviços, inclusive os contrabandistas. À medida que a noite se aproximava, um novo grupo tomava a cena. Era à noite que se abriam os cabarés, as casas de dança, os restaurantes e a prostituição tomava conta do cenário. A Praça nunca foi considerada um lugar violento: as ocorrências limitavam-se, na maioria das vezes, a pequenos furtos e aos "contos-do-vigário".



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